Eu quero voar!
Viajar
no céu inquieto de tua alma.
Quero habitar
em teu olhar,
saber-te meu um instante,
dar-te a paz que não tens
nem eu,
encher-te deste amor
que me possui até ao âmago.
Quero saciar
esta fome infinita do teu corpo
que me vaai deixando
decair cada dia um pouco mais
e mais e mais.
Este amor é fogo lento
a devorar-me
até restar
apenas cinza do que fui.
Minha alegria onde existe?
Já não sou eu.
Que me tornei?
Onde deixei
as asas com que voava?
O cadáver desta ave,
estremecendo pela derradeira vez,
é o meu.
Tua boca é água
que não termina esta sede,
apenas a torna maior.
Eu morro devagar, sem salvação,
neste tempo sem existência,
neste nada.
(Betty Pacheco)
domingo, 13 de setembro de 2009
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