domingo, 13 de setembro de 2009

CRÓNICA DE UM FIM DE TARDE

Estou olhando a ave
que risca o espaço
num voo largo e seguro.
Meus olhos
percorrem devagar
este céu pálido
de fim de tarde.
A meu lado,
uma canção diz:
"we're all alone",
e eu sinto-me
profundamente só,
mais só que antes.
Sinto raiva daquele pássaro
que cruza o ar
indiferente a tudo.
Sua liberdade
é uma afronta para mim,
pássaro triste
carregado de solidão
que se debate loucamente
contra as grades doiradas
de sua estreita prisão.
Quero revoltar-me
e já nem sei...
Minha boca cerra
as palavras que querem sair,
o grito morre-me na garganta,
engulo as lágrimas
prestes a brotar.
Tu passas e nem me olhas.
Fico gelada sem teu sorriso
que era o sol em minha alma.
Baixo a cabeça, vencida.
Alguém me pergunta
o que se passa?
Consigo sorrir:
-Ok. Nada se passa. Tudo bem.
A noite cai lá fora
e no meu peito...

( by Betty Pacheco)

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