(À memória do massacre do povo de Timor-Leste pela Indonésia, em 12 de Novembro de 1992)
Eu vi! Eu vi!
E uma parte de mim
permanece atónita perante o horror
das imagens
que alguém, corajoso, fixou.
Cerro os olhos
e tudo continua a atropelar-se
no meu cérebro,
estupefacto pelo choque.
Reprimo a custo
um imenso vómito.
Sei, de certeza, que não esquecerei mais.
Ser-me-á impossivel esquecer algum dia.
Ah, Timor,
a longínqua,
a ignorada,
a quase dizimada!
A mártir...
Ah, Timor,
quantas de ti existirão
ocultas pelo mundo fora!?
Até quando
o Homem suprimirá o Homem?
Todas as razões são ilegítimas.
Sob os sorrisos falsamente inocentes
dos grandes senhores da Terra
late,
de uma forma
cada vez menos disfarçada,
a hipocrisia
e os seus discursos inflamados
são o compromisso
entre a demagogia e o lucro.
Mas o Senhor maior
é o cifrão
e o mundo tornou-se uma selva
cada vez mais infernal.
Todas as palavras belas
se esvaziaram de sentido
e a esperança é cada dia mais ténue.
Não fora o calendário,
exacto e frio,
e não poderia crer
ter o pé na berma do terceiro milénio.
O Homem não deixa de ser
o maior predador.
Até de si próprio.
Que é de Deus?
Para onde vamos?
Para onde fugir?
Este mundo,
cada vez mais absurdo e inqueitante,
dá-me um pavor de morte.
Lxa 23 /11/92 by Betty Pacheco
domingo, 15 de agosto de 2010
a razão por que escrevo
eu nem a sei
sei que a escrever me sinto bem
e, ainda que imperfeitamente,
muito do meu sentir
fica neste espaço limitado
por quatro margens
a razão por que escrevo
eu nem a sei
apenas sei que a escrever
tento chegar a alguém,
seja quem for,
pra que me entenda
e apreenda tudo o que dizem
minhas palavras
a razão por que escrevo
eu nem a sei
sei apenas que ao escrever
aqui, neste espaço,
fico eu
(by Betty Pacheco)
eu nem a sei
sei que a escrever me sinto bem
e, ainda que imperfeitamente,
muito do meu sentir
fica neste espaço limitado
por quatro margens
a razão por que escrevo
eu nem a sei
apenas sei que a escrever
tento chegar a alguém,
seja quem for,
pra que me entenda
e apreenda tudo o que dizem
minhas palavras
a razão por que escrevo
eu nem a sei
sei apenas que ao escrever
aqui, neste espaço,
fico eu
(by Betty Pacheco)
porque as palavras
sobem dentro de mim
e eu tenho de afogá-las
plantei no meu peito angústia
porque de ti para mim
as noites já não têm madrugada
eu cerro os punhos
e fito o vácuo
esmagando minha sede
por saciar
porque só teu corpo
me traz o sol
e só teus beijos
me despertam vida
pisei voluntariamente
as flores que em mim desabrocharam
e vesti-me de temporal
em sinal de luto profundo
(by Betty Pacheco)
sobem dentro de mim
e eu tenho de afogá-las
plantei no meu peito angústia
porque de ti para mim
as noites já não têm madrugada
eu cerro os punhos
e fito o vácuo
esmagando minha sede
por saciar
porque só teu corpo
me traz o sol
e só teus beijos
me despertam vida
pisei voluntariamente
as flores que em mim desabrocharam
e vesti-me de temporal
em sinal de luto profundo
(by Betty Pacheco)
dá-me uma estrela pra enfeitar a madrugada
dá-me o teu sol pra iluminar a escuridão
dá-me a ternura pra findar a solidão
dá-me o amor pra destruir todo este nada
acende no meu corpo a primavera
consente que eu seja a tua seara
o tempo para mim é a tua espera
deixa que a noite se torne manhã clara
invente um novo dia para nós
sonha comigo sonhar também é preciso
rasga em minha boca um outro riso
e nunca mais meu amor seremos sós
(by Betty Pacheco)
dá-me o teu sol pra iluminar a escuridão
dá-me a ternura pra findar a solidão
dá-me o amor pra destruir todo este nada
acende no meu corpo a primavera
consente que eu seja a tua seara
o tempo para mim é a tua espera
deixa que a noite se torne manhã clara
invente um novo dia para nós
sonha comigo sonhar também é preciso
rasga em minha boca um outro riso
e nunca mais meu amor seremos sós
(by Betty Pacheco)
a minha alma é um rio
que corre livremente para a tua.
a minha alma
é o pássaro mais belo que existe,
e canta em cada segundo que vive
toda a beleza do amor que tu lhe inspiras
e a alegria se estar vivo para querer-te.
a minha alma é um sonho
que possui a sensibilidade
de um movimento de bailado.
a minha alma tem em si
o momento único da flor rara
que se abre confiadamente
em tuas mãos.
por ti minha alma possui
a dimensão do universo
que tu preenches por inteiro.
dá-me a tua mão, amor,
e não deixes que me sinta só.
(by Betty Pacheco)
que corre livremente para a tua.
a minha alma
é o pássaro mais belo que existe,
e canta em cada segundo que vive
toda a beleza do amor que tu lhe inspiras
e a alegria se estar vivo para querer-te.
a minha alma é um sonho
que possui a sensibilidade
de um movimento de bailado.
a minha alma tem em si
o momento único da flor rara
que se abre confiadamente
em tuas mãos.
por ti minha alma possui
a dimensão do universo
que tu preenches por inteiro.
dá-me a tua mão, amor,
e não deixes que me sinta só.
(by Betty Pacheco)
Escutei teu nome soprado no vento,
baixinho, tão leve que só eu senti.
Foi como um afago que, vindo de ti,
habitou, sereno, no meu pensamento.
A necessidade de contigo estar
quedou-me no peito mais que breve instante.
Não sabes, meu bem, como ela é constante
e como de todos a tento ocultar.
Este meu segredo apenas eu sei.
Eu e mais o vento, que é meu companheiro
e vive comigo quando sou sozinha.
È doce segredo que não te direi.
Em mim, meu amor, tu és o primeiro.
Ès uma ternura profunda, bem minha.
(by Betty Pacheco)
baixinho, tão leve que só eu senti.
Foi como um afago que, vindo de ti,
habitou, sereno, no meu pensamento.
A necessidade de contigo estar
quedou-me no peito mais que breve instante.
Não sabes, meu bem, como ela é constante
e como de todos a tento ocultar.
Este meu segredo apenas eu sei.
Eu e mais o vento, que é meu companheiro
e vive comigo quando sou sozinha.
È doce segredo que não te direi.
Em mim, meu amor, tu és o primeiro.
Ès uma ternura profunda, bem minha.
(by Betty Pacheco)
UM DIA...
quando eu partir um dia e, finalmente,
o meu espírito inquieto descansar,
a visão de teu rosto e teu olhar
quero reter num último momento.
e porque antes de ti hei-de partir,
viverei, talvez, no teu pensamento,
no mais secreto de teu sentimento,
em tudo o que ficou por construir.
o que compartilhámos não bastou
p'ra encher a transbordar o quanto sou,
recordarás por um instante, sonhador,
os breves momentos de um amor
que'inda que qieras não poderás esquecer.
(by Betty Pacheco)
o meu espírito inquieto descansar,
a visão de teu rosto e teu olhar
quero reter num último momento.
e porque antes de ti hei-de partir,
viverei, talvez, no teu pensamento,
no mais secreto de teu sentimento,
em tudo o que ficou por construir.
o que compartilhámos não bastou
p'ra encher a transbordar o quanto sou,
recordarás por um instante, sonhador,
os breves momentos de um amor
que'inda que qieras não poderás esquecer.
(by Betty Pacheco)
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