tudo dorme num silêncio calmo
rasgado apenas
pelo estalar das madeiras da casa
estendo o braço por sobre a cama
reclino nele a cabeça
fico de olhos no televisor
sem ver
e a tua imagem
espalha-se por mim
como um vasto lago
e inunda-me de ternura
queria dizer-te
tudo o que criaste em mim
e não sei as palavras
tudo é tão novo
tão gritantemente vivo
sei que te quero
sei que a minha mão
precisa conhecer
o contorno do teu corpo
numa descoberta única e fantástica
e a minha boca necessita
de aprender-te o sabor
para sossegar esta avidez
a noite é bela
negra, profunda e de cetim
como os teus olhos
mas cheia de uma luz intensa
que me enche de dentro para fora
como o mais glorioso dia da Criação
quisera vencer esta distância
deitar-me a teu lado
e sem te despertar
desenhar-te devagar
a curva da face
depositar um beijo leve
sobre teus lábios
e ficar a ver-te dormir
tranquilo
até o dia te acordar
domingo, 13 de setembro de 2009
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