da confusão de mim
surgem
todas as interrogações possíveis.
perdi-me no sonho
em que me transformei,
mas tu és uma realidade
que não consigo agarrar.
penso-te até ao esgotamento
e sinto um medo que não sei definir.
de perder-te?
ah, não...
não me devolvas o vazio
da rotina dos meus dias,
mais ou menos arrumadinhos.
deixa-me ter-te assim,
por ora basta.
não quebres este fio mágico
que teceste em mim
que é ténue e de aço.
brinca comigo.
preciso-te. é crime?
moves-te no meu cérebro em fogo
e a tua imagem desfaz-se
para se refazer em seguida.
materializas-te em mim.
toco a tua mão,
palma com palma,
e, por entre nossos dedos entreabertos,
fixo teus olhos sem uma palavra.
tudo se desfaz de novo
como a imagem reflectida num lago
a que atiro uma pedra.
o mistério que há em ti
coloca-me num labirinto
sem fio de Ariane
e mesmo perdida
recuso-me a reencontrar-me.
toma a minha frágil mão
e conduz-me
pelo espaço da nossa imaginação.
(Betty Pacheco)
domingo, 4 de outubro de 2009
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