domingo, 15 de agosto de 2010

Sozinha
volteio sobre a mente
tentando sobrepor-me
à necessidade de ti
que se enleia no meu peito.
Luto, quanto posso,
contra os impulsos
que me atiram
irresistivelmente
para tudo o que tu és
e não resulta.
Estás presente em mim
com uma força
que me domina.
Estendo o braço
para a tua cabeça
a quilómetros de distância.
Os meus dedos vazios
alisam devagar
o teu cabelo revolto
que não é mais comigo
e o meu gesto terno
suspende-se por haver.
Submersa
na tua viva e golpeante memória,
mordo, numa raiva contida,
a solidão que me ofereces
e fico-me, imóvel, procurando
o que inventar
para fingir que te esqueci.



(by Betty Pacheco)

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